
A Cruz Vermelha de Cabo Verde (CVCV), em parceria com a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV), lançou nesta quarta-feira (21), na Praia, o Protocolo Simplificado de Ação Antecipatória para a Seca, uma iniciativa que visa reforçar a preparação e a capacidade de resposta das comunidades cabo-verdianas perante os riscos associados à seca.
O lançamento decorreu no Conselho Local da Cruz Vermelha de Cabo Verde, em Paiol, no âmbito das atividades de reforço das capacidades da instituição, e assinala um passo importante na consolidação de uma abordagem humanitária que privilegia a antecipação dos riscos, permitindo agir antes que os fenómenos climáticos provoquem consequências mais graves nas comunidades.
Na abertura da atividade, o Presidente da Cruz Vermelha de Cabo Verde destacou a importância de transformar as experiências adquiridas em situações de emergência em capacidade concreta de preparação e intervenção. As lições retiradas da tempestade Erin, em agosto de 2025, das chuvas que afetaram Santiago Norte, em novembro do mesmo ano, e da erupção vulcânica do Fogo, em 2014–2015, reforçam a necessidade de investir na prevenção, no planeamento e na mobilização antecipada de recursos.
Esta abordagem representa uma mudança importante na forma de atuar perante os riscos: em vez de esperar que uma crise se agrave para intervir, procura-se identificar os sinais de alerta e desencadear ações previamente definidas, com base em critérios técnicos e científicos.
Durante a apresentação técnica, Sadrack Matanda, representante da FICV, explicou os fundamentos da ação antecipatória, os critérios de ativação do protocolo e as principais medidas previstas para reduzir os efeitos da seca. A ativação está associada a previsões sazonais que indiquem uma probabilidade igual ou superior a 60% de precipitação abaixo do normal, com recurso ao modelo climático ECMWF-SEAS5, considerando a previsão de julho para o período de agosto a outubro.
Com uma duração de dois anos e um orçamento de 219.598 francos suíços, equivalente a cerca de 26 milhões de escudos cabo-verdianos, o protocolo prevê alcançar aproximadamente 2.000 pessoas. A intervenção dará prioridade às ilhas do Sal, Boa Vista, Maio, Santiago e Santo Antão, bem como às zonas de planície da ilha do Fogo, tendo em conta a exposição aos riscos e as necessidades das comunidades.
Entre as medidas previstas estão o reforço dos sistemas de alerta precoce, a preparação dos planos de ação comunitários, a formação dos voluntários e das equipas de resposta, o pré-posicionamento de materiais e recursos essenciais e a realização de simulações para testar a capacidade de intervenção antes da ocorrência de uma crise.
O protocolo contempla igualmente medidas destinadas a proteger os meios de subsistência das populações afetadas pela seca, incluindo possíveis apoios a agricultores e criadores de animais, disponibilização de equipamentos e transferências monetárias, de acordo com as necessidades identificadas e as ações previstas para a ativação.
A iniciativa mostra o compromisso da Cruz Vermelha de Cabo Verde com a redução dos riscos de desastres, a proteção das populações mais vulneráveis e o fortalecimento da resiliência comunitária face aos efeitos das alterações climáticas.